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Muros que falam

De cada vez que parava naquele sinal vermelho, virado para o muro branco do IPL, vinha-me à cabeça a mesma frase:

“musicamos com palavras os diálogos da vida/ vamos indo sem rumo apesar da bússola”

Era uma frase bizarra, longa demais para ser evocada sem nenhuma musicalidade. Vinha sem ritmo e nunca consegui cantá-la. Não era música. Não era minha. E não sabia porque é que cada vez que parava naquele sinal ela me vinha à cabeça. Era um fenómeno.

Uma noite, com uma amiga de longa data no carro e paradas no sinal, comentei o fenómeno. Entusiasmada ela responde que aquela frase esteve durante anos escrita no muro. Que sempre que passava ali ainda via o muro escrito e grafitado mas que nunca se lembraria do que lá estava escrito caso eu não o dissesse.

Aquele muro nunca se calou. Tinha dois discursos. Um para mim, outro para ela.

Aquele mesmo muro, hoje diz mais para a esquerda, greve-geral.

 

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Smile or Die

Uma crítica ao conforto

I did not smile. guess what happened?

Coisas que fazem a diferença

Os TUB – Transportes Urbanos de Braga presenteiam quem neles viaja com poesia de João Negreiros.

Este mês quem viaja pode ler:

poema TUB

Electricidade, o meio por excelência

“(…) electricamente contraído, o globo já não é mais que uma aldeia. A velocidade eléctrica aglutinando todas as funções sociais e politicas numa súbita implosão, elevou a consciência de responsabilidade humana a um grau dos mais intensos. (…)” McLuhan, Marshall. Os meios de comunicação como extensões do Homem

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Quando estamos a ver televisão e achamos que ela é um meio…erro:

o meio é a electricidade.

Sem ela não há meios para ver televisão!

Quando achamos que precisamos do carregador…erro: precisamos de uma tomada eléctrica.

Quando achamos que precisamos de tempo para ler…erro: precisamos de uma lâmpada.

Curioso é nem termos essa percepção.

Para muitos será uma supresa descobrir que afinal McLuhan não estava a falar de internet quando comparou o mundo a uma aldeia… não se pode acreditar em tudo o que se lê…este é só mais um mito da net!

“ELE COMEÇOU PRIMEIRO”

Numa análise superficial qualquer adulto diria que a frase “ELE COMEÇOU PRIMEIRO” é, além de uma infantilidade, um pleonasmo.

Quem começa algo é definitivamente o primeiro. Parece óbvio mas não é.

Basta pensar que a frase que diria uma criança depois desta seria “E EU COMECEI A SEGUIR”.

Poderia dizer “E EU NÃO COMECEI” e ai ouvindo a frase “ELE COMEÇOU PRIMEIRO” estaríamos não só perante um pleonasmo como também perante um sonso porque se o segundo não tivesse começado, então, o adulto nunca teria tido de ouvir a queixa.

E aquilo que parece um pleonasmo ganha assim um novo significado porventura bastante complexo quando analisado do ponto de vista da Pragmática da Comunicação Humana ( Paul Watzlawick )

São cinco os axiomas de Watzlawick e todos eles muito úteis mas para o tipo de analise que quero fazer vou focar-me, como fiz até agora, no terceiro:

  1. É impossível não comunicar
  2. Toda a comunicação tem 2 níveis: conteúdo e relação
  3. Pontuação da sequência dos factos
  4. Existem dois tipos de comunicação: digital e analógico
  5. Todas as permutas comunicacionais ou são simétricas ou complementares, conforme se baseiam na igualdade ou na diferença

A forma de pontuar factos faz toda  a diferença. Seja no caso da criança que diz “Ele começou primeiro” ou no caso do Presidente da Republica Portuguesa e do Partido que a governa (PS).

Vou pegar no exemplo daquilo que tem sido usado para denominar, justa ou injustamente, o Presidente de paranoico e patético:

Perante a abordagem do partido no poder para que o PR “pusesse na ordem” os seus colaboradores pois eles estavam a colaborar no programa da oposição (PSD). É lançada novamente a suspeita de escutas em Belém.

A maioria pontua desta forma. O PR é patético porque deixou-se levar pela desconfiança.

Mas e a primeira acção? De quão patética poderá ser avaliada?

O PS ligar ao PR a fazer queixinhas dos seus assessores? Qual o nível de paranóia necessária para que um partido no poder actue dessa forma ?

O triste aqui é que em vez de crianças temos órgãos de soberania de um país. Órgãos que ainda não entenderam que mais do que saber QUEM COMEÇOU este país quer uma DEMOCRACIA que actue de forma diferente duma criança na primeira infância.

FASES CHAVE NA INDUSTRIA DE TV

IDATE consulting and research / Tradução: DLIC

IDATE consulting and research / Tradução: DLIC