Archive | Julho 2011

Um pré-compromisso

Há situações que nos levam a sítios que julgávamos não estar ainda preparados para ir.

Hoje dei por mim numa dessas situações que me conduziu a este post. Um pré-compromisso. 

Em 2005 decidi voltar a estudar. Ou iria tirar direito porque tenho em mim sangue de justiceira vindo de um avô jurista ou iria tirar audiovisual e multimedia, curso que não existia nos meus tempos de estudante e que um acaso fez com que fosse a minha profissão.

A minha escolha foi fazer um percurso com menos ruptura e reforçar os meus conhecimentos naquela que era na altura a minha área profissional. A licenciatura que tirei foi paga pela minha entidade patronal, com um contrato assinado através do qual eu me comprometia a acabar o curso sem chumbar a nenhuma cadeira. O contrato foi cumprido. Um ano após o outro. Muita água a passar debaixo da ponte.

Descansei e fui fazer mestrado, desta vez pago por mim mas com um contrato mental semelhante aquele que assinei um dia. Fazer todas as cadeiras, não adiar, trabalhar, estudar. E assim fiz. No primeiro semestre dispensei todos os exames. No segundo semestre tudo corria igual menos a duas cadeiras. As aulas eram em dias que faltei várias vezes. Faltei para ir a galas onde trabalhos nos quais participei estavam nomeados para prémios de televisão. Foram várias as nomeações, desde o Festival de Monte Carlo à TV Sete Dias e foram vários os prémios, UNESCO e Gazeta mais uma menção honrosa do Grupo Impresa. Perdi as aulas porque ganhei outras coisas. Alguns dias até as perdi apenas por ter ganho uma gripe.

No final do semestre estava tudo feito menos duas cadeiras. Um dos exames fiz, e fiz até com uma certa raiva por considerar injusto que o meu trabalho não tivesse sido aceite pelo atraso. Passei com 15 a metodologias de investigação aplicada aos media. Devo-o ao mesmo avô que também foi director do INE.

O outro exame adiei, adiei e adiei. Adiei tanto que o deixei para Setembro e vou ter de conviver com isso o melhor que conseguir. Adiei tanto como até aqui, neste mesmo post, tenho estado a adiar o pré-compromisso ao qual me propus no inicio do post empurrada pela tal situação que nem vou mencionar.

O pré-compromisso é falar publicamente sobre os temas da minha tese de mestrado.

São dois os temas e não são fáceis de nomear porque “não existem”. Surgem da constatação de que continuamos a aprender com base na realidade que existia na época em que alguém pensou a realidade cunhando os termos. Eu vou continuar partindo da realidade que me cerca. Solidariedade de Durkheim e as esferas de Habermas.

Hoje esforçamo-nos para encaixar a realidade nos conceitos de ontem.

Habermas definiu esfera intima, esfera privada e esfera publica, mas será que existe uma nova esfera ? aquela que tantas polémicas tem gerado por não encaixar na perfeição em nenhuma das esferas definidas anteriormente. É a esfera que parece publica mas cada um considera privada ou que parece privada e cada um considera publica. É a rede onde “vivemos” hoje. E a solidariedade de hoje ? que se pode dizer sobre ela ? alguém concebe solidariedade além das SPSS ?

Solidariedade e esferas são os meus temas, realacionados directamente com cultura participativa em rede, relacionado com pessoas e construção. Utilização da rede para o bem estar de uma comunidade.

Pode ser utopia, pode não ser. Eu sempre gostei muito da Escola de Chicago, gostei mais até do que da Escola de Frankfurt.

O SMS

Imaginemos Passos Coelho a confidencializar à comunicação social que recebeu um sms da Manuela Moura Guedes e que, por isso, deixou cair um secretário de Estado.
Cenário difícil de imaginar ? pois…

Agora imaginemos MMG a confidencializar à CS que enviou um sms a PPC sobre Bairrão e que fez cair um secretário de Estado.
Mais fácil de imaginar ? pois…

Agora imaginemos tudo o resto que falta na história, todos os sms; todos os motivos; argumentos; acontecimentos não confidencializados porque existem
à margem da MMG.
Fácil imaginar ? ora, pois…

Agora vejamos este filme

Cenário fácil de entender ? pois…

I rest my case