Archive | Dezembro 2009

Haja, então, coragem para continuar

Perdida nos meus balanços, análises e possibilidades dei por mim a pensar se hoje em dia se ensinaria na escola primária o bit enquanto unidade e a sua escala de medida. Assim como um dia me foi ensinado o metro, o litro, o tempo ou os graus.

Introduzir esta nova escala no programa da primária é uma medida tão ou mais importante que o Magalhães. Os problemas que colocam exigem o mesmo nível de raciocínio :

  • Do Porto a Lisboa são 300 Km. O carro do pai do João viaja a 100 Km/h. Quantas horas demora o João a chegar ao Porto ?
  • A Mp3 que o João quer ouvir tem 7000KB. A velocidade da rede é de 1.0 Mbps. Quantos segundos demora o download da música que o João quer ouvir ?

Percebi os vários entraves a uma medida destas mas conclui com convicção que se trata de uma medida tão ou mais fundamental do que dar um Magalhães às crianças.

Haja, então, coragem para continuar.

Construção

Sempre que se fala em contrução social vem-me à memória a história dos 6 macacos e da banana. São seis macacos enjaulados e uma banana que lá é colocada.

Depois duma luta há um macaco que consegue para si a banana. Isola-se com a sua conquista a um canto enquanto os restantes cinco macacos são “atacados” com um jacto forte de água.

Nos dias seguintes a cena repete-se, até chegar o dia em que os macacos deixaram de lutar para conseguir a banana e passaram a lutar para evitar que algum macaco apanhe a banana evitando desta forma o jacto de água.

A cena repete-se dia após dia até que todos os macacos passam a ignorar a banana. Nenhum luta para a ter e já não é preciso lutar para que nenhum a tenha.

Quando a ordem está instalada é retirado da jaula um dos macacos. No seu lugar é posto outro macaco que não conhece a ordem instalada.

Quando a banana é colocada na jaula o novo macaco corre para ficar com ela e os outros cinco macacos, sabendo que lhes esperava um jacto de água, lutam com o novo macaco evitando que apanhe a banana.

Rapidamente o novo macaco aprendeu, também, a ignorar a banana.

Foi novamente retirado da jaula outro macaco do grupo inicial e colocado um novo macaco. Foi colocada a banana. A cena repetiu-se. Os cinco macacos evitaram que o novo macaco chegasse à banana.

Neste ponto já existe um macaco que se juntou ao grupo depois dos jactos de água e que desconhece o motivo pelo qual todos evitam a banana. Ainda assim, desconhecendo o motivo da ordem instalada, ele ajuda os restantes a mante-la.

Ao logo do tempo todos os macacos com os quais se inicia o processo são retirados da jaula, substituídos por macacos que nunca assistiram ou sentiram os jactos de água mas que mantêm o comportamento que lhes foi imposto à chegada.

Não me recordo em que livro li esta historia:
Pode ter sido aqui A realidade é real ? de Paul Watzlawick ou aqui A dimensão oculta de Edward T. Hall