Archive | Setembro 2009

“ELE COMEÇOU PRIMEIRO”

Numa análise superficial qualquer adulto diria que a frase “ELE COMEÇOU PRIMEIRO” é, além de uma infantilidade, um pleonasmo.

Quem começa algo é definitivamente o primeiro. Parece óbvio mas não é.

Basta pensar que a frase que diria uma criança depois desta seria “E EU COMECEI A SEGUIR”.

Poderia dizer “E EU NÃO COMECEI” e ai ouvindo a frase “ELE COMEÇOU PRIMEIRO” estaríamos não só perante um pleonasmo como também perante um sonso porque se o segundo não tivesse começado, então, o adulto nunca teria tido de ouvir a queixa.

E aquilo que parece um pleonasmo ganha assim um novo significado porventura bastante complexo quando analisado do ponto de vista da Pragmática da Comunicação Humana ( Paul Watzlawick )

São cinco os axiomas de Watzlawick e todos eles muito úteis mas para o tipo de analise que quero fazer vou focar-me, como fiz até agora, no terceiro:

  1. É impossível não comunicar
  2. Toda a comunicação tem 2 níveis: conteúdo e relação
  3. Pontuação da sequência dos factos
  4. Existem dois tipos de comunicação: digital e analógico
  5. Todas as permutas comunicacionais ou são simétricas ou complementares, conforme se baseiam na igualdade ou na diferença

A forma de pontuar factos faz toda  a diferença. Seja no caso da criança que diz “Ele começou primeiro” ou no caso do Presidente da Republica Portuguesa e do Partido que a governa (PS).

Vou pegar no exemplo daquilo que tem sido usado para denominar, justa ou injustamente, o Presidente de paranoico e patético:

Perante a abordagem do partido no poder para que o PR “pusesse na ordem” os seus colaboradores pois eles estavam a colaborar no programa da oposição (PSD). É lançada novamente a suspeita de escutas em Belém.

A maioria pontua desta forma. O PR é patético porque deixou-se levar pela desconfiança.

Mas e a primeira acção? De quão patética poderá ser avaliada?

O PS ligar ao PR a fazer queixinhas dos seus assessores? Qual o nível de paranóia necessária para que um partido no poder actue dessa forma ?

O triste aqui é que em vez de crianças temos órgãos de soberania de um país. Órgãos que ainda não entenderam que mais do que saber QUEM COMEÇOU este país quer uma DEMOCRACIA que actue de forma diferente duma criança na primeira infância.

Incompatibilidades Compativeis no jornalismo português

A 6 de Agosto de 2009 perante uma duvida enviei o seguinte email para a comissão da Carteira de Jornalista:

Boa Noite,

Hoje fui consultar a lista de jornalistas e fiquei surpreendida por encontrar no Ponto 1 do art.3 – Incompatibilidades, a seguinte alínea:

b) Funções remuneradas de (….)  orientação e execução de estratégias comerciais;

com a consequência descrita no ponto 3 do mesmo artigo:

– O jornalista abrangido por qualquer das incompatibilidades previstas nos números anteriores fica impedido de exercer a respectiva actividade, devendo depositar junto da Comissão da Carteira Profissional de Jornalista o seu título de habilitação, o qual será devolvido, a requerimento do interessado, quando cessar a situação que determinou a incompatibilidade.

http://www.ccpj.pt/legisdata/LgLei1de99de13deJaneiro.htm

Fiquei curiosa por encontrar na lista de Carteiras Profissionais Revalidadas nomes como:

José Eduardo Moniz – De saída da TVI

Nuno Santos – Director Programas da SIC

e mais uma série de nomes de jornalistas que neste momento executam funções que o estatuto declara como incompatíveis.

Questiono-me qual o argumento jurídico que sustenta a revalidação da Carteira nestas situações.

Não sou jornalista apenas curiosa.

Obrigada

Isabel Cruz

CARTEIRA JORNALISTA

A resposta a este email chegou hoje. Informando-me, a directora da CCPJ, que ” depois das averiguações feitas pela CCPJ sobre as actividades desenvolvidas pelas pessoas indicadas no mail não resultou qualquer indício da prática de actividade incompatível.”
Reportando quaisquer esclarecimentos para o secretariado nas instalações.
Relembro que hoje JEM é administrador de um grupo económico com interesses em vários sectores.
Relendo novamente o meu email verificarão que eu não questionei a legitimidade da revalidação. Pedi, sim, o argumento jurídico que sustenta a decisão. Não foi ao calhas que o pedi. Pedi-o porque a ele tenho direito enquanto cidadã uma vez que o estatuto do jornalista foi decretado pela Assembleia da República.

:: Estatuto do Jornalista
(Lei n.º 1/99 de 13 de Janeiro)

“A Assembleia da República decreta, nos termos da alínea c) do artigo 161.º da Constituição, para valer como lei geral da República(…) ao que se segue o estatuto (copiado do site da CCPJ)

As perguntas que isto me suscita são:

1ª- Como é que em democracia uma instituição acha que pode responder “é assim porque eu digo”

2ª-  A quem é dirigida a parte da alinea b) do Art. 3 onde se lê que

O exercício da profissão de jornalista é incompatível com o desempenho de:

b) Funções remuneradas (…)  de orientação e execução de estratégias comerciais;

A algum jornalista que decida vender aspiradores no seu tempo livre para equilibrar as finanças domésticas enquanto exclui aqueles que administram grandes grupos económicos do sector media.

3ª- Para onde caminhamos ?

Amo o meu país

e amo instituições democráticas

FASES CHAVE NA INDUSTRIA DE TV

IDATE consulting and research / Tradução: DLIC

IDATE consulting and research / Tradução: DLIC

Cronologia para memória futura

E porque tudo tem de ter um principio parto daqui

Em Outubro de 2008 é “publicada no “Diário da República” a Portaria n.º 1239/2008, de 31 de Outubro, que procede à abertura do concurso público para a atribuição de uma licença para o exercício da actividade de televisão

e então sucedem -se os seguintes factos:

13 de Novembro de 2008

Zon confirma – Emídio Rangel contratado como consultor externo para 5º canal : Agência Financeira

Emídio Rangel prepara candidatura da Zon ao quinto canal de televisão : Jornal Público

21 de Janeiro de 2009

Zon chumba Rangel e cria 5.º canal para a crise : Diário de Noticias

Zon: Garante que consultor é para manter na empresa – Rangel fora do 5.º canal : Correio da Manhã

22 de janeiro de 2009

Empresa portuguesa na corrida- ZON vai ter concorrência no concurso ao 5º canal : Jornal de Negócios

Empresa de David Borges e de filha de Emídio Rangel apresenta candidatura ao quinto canal : Jornal Público

23 de Janeiro de 2009

A ERC realizou hoje o acto público de abertura das duas propostas ao concurso do “5.º Canal” : (o artigo não datado por erro da ERC aqui)

Telecinco considera que proposta da Zon poderá ser excluída do concurso : Jornal Público

Preparar uma candidatura a um canal de televisão tem custos altíssimos, para se ter uma ideia basta espreitar o caderno de encargos inerente ao concurso (aqui).

23 de Fevereiro de 2009

ERC chumba as duas candidaturas ao quinto canal : Meios&publicidade

25 de Fevereiro de 2009

Quinto Canal arrisca ficar parado durante anos : Diário Económico

25 de Março de 2009

Telecinco processa 3 membros da ERC : diario.iol.pt

29 Abril de 2009

Governo ainda não decidiu se invoca interesse público do 5º canal : Jornal de Negócios

25 de Junho de 2009

Moniz defende venda da Media Capital à PT : DN TV&Media

3 de Julho de 2009

5.º canal: Zon recorre de chumbo à sua candidatura: diario.iol.pt

3 de Agosto de 2009

Ongoing quer mercado da TV : Correio da Manhã

Eleições; fim do jornal de 6ª; de Abril até hoje o governo continua sem saber se invoca interesse público; a PRISA não sabe se vende, a Ongoing não sabe se compra; a MC não sabe se é comprada; a ZON recorre em Julho duma decisão de Fevereiro depois da falha de negocio entre PT/ MC; enfim…

Amo o meu país

e amo olhar para (alguma/muita) informação ordenada